Desmame precoce x Orientações de amamentação

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A maior parte das pacientes que entra em contato comigo está em casa com o bebê há pouco tempo e está enfrentando desafios comuns do início do período de amamentação, logo após a alta hospitalar.

De acordo com o Ministério da Saúde, o tempo médio de amamentação da mulher brasileira é de 54 dias – muito abaixo do tempo mínimo recomendado, que é de 6 meses. E, mesmo com a divulgação de todas as vantagens do aleitamento materno exclusivo, no Brasil, apenas 38% dos recém-nascidos recebem somente leite materno dos 0 a 4 meses de idade.

Sempre antes de iniciar um atendimento em domicílio, coleto a história da mãe e do bebê e pergunto quais orientações sobre amamentação ela recebeu na maternidade. A maioria se mostra insatisfeita com a assistência de enfermagem. Elas dizem que há incentivo para amamentar logo no centro obstétrico, mas que depois a amamentação fica por conta delas. O que acontece é que a atual dinâmica de assistência de enfermagem nos berçários de baixo risco não permite a frequência e a sequência necessárias para uma boa orientação, principalmente para as mães de primeira viagem. As enfermeiras, que deveriam estar perto das mães nesse momento, estão focadas em outras atribuições, frequentemente funções mais administrativas.

Muitos estudos são feitos sobre as principais causas de desmame precoce no Brasil e muitos deles apontam que a orientação por profissional especializado na gravidez e no pós-parto imediato, ainda na maternidade, são fatores chave para a prevalência do aleitamento materno.

A orientação sobre frequência e duração das mamadas, posicionamento da mãe, pega correta e sucção efetiva do bebê e outros cuidados com as mamas para prevenção de fissuras mamilares devem fazer parte do roteiro de orientações.

Por isso, se a mãe e a família tiverem condições e a mãe tiver o desejo de amamentar, é importante que contatem um profissional de confiança para acompanhamento e orientação desde a gravidez. Muitos dos problemas que costumam acontecer no início do período de amamentação, e que costumam levar ao desmame, podem ser prevenidos com orientações e acompanhamento de um enfermeiro especialista (pode ser enfermeiro neonatologista ou enfermeiro obstetra).

A mãe precisa se sentir adequadamente orientada nas suas dúvidas e dificuldades, para que ela possa assumir com segurança e conforto o papel de mãe e oferecer o aleitamento materno exclusivo ao seu bebê.

A amamentação deve ser um ato de prazer e não uma obrigação.

 

Carol

Enfermeira neonatologista

COREN-SP 205.257


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